domingo, 26 de dezembro de 2010

Não costumo colocar aqui fotografias de pessoas frequentemente, muito menos de gente próxima, mas desta feita não resisto! A acrescentar a um sobrinho giro, o Pai Natal deste ano decidiu reforçar a encomenda com outro, no mínimo castiço (e mal encarado!) No entanto, ficam tão bem os dois manos, que aqui mesmo se plasmam para todos os tempos. Este é, como todos, um momento único...só que há momentos que são mais únicos do que outros (adaptação livre de um princípio filosófico de Orwell...).

Foi generoso o Pai Natal de 2010.


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Essência





"Enquanto não superarmos a ânsia do amor sem
limites, não podemos crescer emocionalmente.......Enquanto
não atravessarmos a dor de nossa própria solidão,continuaremos a
nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes, é necessário
ser um."

- Fernando Pessoa -

Um. A essência, no fundo. Aquilo em que nos transformamos no exacto momento da nossa concepção, que carregamos ao longo da nossa existência e que, inevitavelmente, consolidamos no momento da nossa morte.
O centro. A vida no seu termo mais exacto. A origem e o fim de tudo o que nos toca.
No entanto, ao longo do nosso percurso, esse Um, essa essência, esse centro que somos, tem por missão enriquecer-se, crescer e tornar-se mais uno e próximo do Ser total que, algures, dentro de nós encerramos. E isso só é possível através da partilha; esta, por sua vez, só é possível através do Amor. Sem limites mas igualmente sem ânsia. Total na sua formulação, segmentado na forma como o distribuímos, o Amor procura e procura-se entre nós, seja por metades, seja por colectivos; através da nossa própria solidão, enriquecendo-se com as dores que sentimos, engrandecendo-se pelos actos que cometemos: desde os mais grandiosos, aos mais insignificantes, desde que o último destinatário sejamos nós, através do que proporcionamos aos outros. Escrevendo, pintando, cantando, reflectindo, trabalhando, sendo voluntários, abraçando ou simplesmente...sendo; sendo o que somos, pelo melhor que podemos ser para nós e para quem nos rodeia.
Usando as palavras do poeta, diria que para viver, seja com quem for, onde for, como for, antes, é de facto necessário saber ser um em todos os momentos que cruzam essa vida.

domingo, 28 de novembro de 2010

Caetano Veloso - Os Argonautas


Os Argonautas navegam, não precisam viver! Será mesmo assim, ou a mensagem que devemos reter é a de que viver é, no fundo, um acto de permanente navegação? À vista, como em tempos remotos.
Um farol, uma luz, eis o que vamos precisando para enfrentarmos os tormentosos dias da nossa navegação.
A forma, a matéria que usamos para navegar, pouco ou nada importa. O que verdadeiramente importa é ... a luz; a luz que vamos descobrindo em cada saída de porto para nos guiarmos ao longo do caminho que traçamos usando as balizas que nos vão sendo fornecidas.
Navegar não é fácil. Viver também não. Mas ambos são precisos, pois que a essência de um radica na arte do outro.
Assim o navio"Argo" ( o Príncipe Grego dos cem olhos) e os seus arrojados tripulantes partiram à conquista do Velo de Ouro na Colquídea.











domingo, 21 de novembro de 2010

Observando





A paz que nos pode acometer num dia chuvoso de Outono, pode bem ser um assomo de melancolia disfarçado de bem-estar.

Ainda assim, bem observado, um dia de Outono pode ser algo de muito belo. E mesmo que exista essa tal dissimulação, de tão subtil, apenas deve servir par nos lembrar que a vida também é Outono.


quinta-feira, 18 de novembro de 2010


A afeição é algo de que dificilmente nos conseguimos apartar, sob pena de empedernir-mos o coração e daí fazer definhar a alma. Por muito que a afeição não se revista dos contornos com que sonhamos e idealizamos, se ela estiver presente, seja de que forma fôr, estaremos sempre ao abrigo da indigência emocional.

Como escreveu Goethe, no seu maravilhoso "Werther":

"O homem é sempre homem! E o pouco juízo que um possa ter a mais do que outro nada pesa na balança quando as paixões se desencadeiam, ou quando são ultrapassados os limites prescritos à condição humana.
...
É uma verdade incontestável: não há no mundo nada mais necessário ao homem do que a afeição."

domingo, 7 de novembro de 2010

Pessoa


Aconteceu-me do alto do infinito


Aconteceu-me do alto do infinito
Esta vida. Através de nevoeiros,
Do meu próprio ermo ser fumos primeiros,
Vim ganhando, e através estranhos ritos

De sombra e luz ocasional, e gritos
Vagos ao longe, e assomos passageiros
De saudade incógnita, luzeiros
De divino, este ser fosco e proscrito...

Caiu chuva em passados que fui eu.
Houve planícies de céu baixo e neve
Nalguma coisa de alma do que é meu.

Narrei-me à sombra e não me achei sentido.
Hoje sei-me o deserto onde Deus teve
Outrora a sua capital de olvido....

Fernando Pessoa Soneto X - Passos da Cruz (1913-1916)

sábado, 6 de novembro de 2010

Relíquias na Figueira


Estamos num tempo em que é ecologicamente incorrecto afirmar-se como apreciador de automóveis.
Não resisto contudo a declarar-me fã desta que é a mais fantástica máquina inventada pelo homem. No caso destas "relíquias", trata-se mesmo de obras de arte e engenho.



Packard, o Rolls Royce Americano.






O mítico "Silver Ghost" ou o superlativo da construção automóvel!




E depois há os que preferem uma tarde de pesca na extensão do molhe Norte.